Bolsa despenca após as eleições: crise ou oportunidade? O que podemos aprender com o passado para investir melhor em 2027

Jornada Imobiliária – Episódio 38

A Bolsa brasileira caiu quase 14% em um único dia. O dólar disparou, o cenário político trouxe novas incertezas e muita gente começou a se perguntar: é hora de vender tudo, esperar ou aproveitar para investir?

Quero conversar com vocês sobre isso de uma forma simples, porque existe algo que aprendi ao longo da minha trajetória no mercado imobiliário e nos negócios: momentos de incerteza também podem trazer grandes oportunidades. Mas é preciso saber identificá-las. E não estou falando apenas de imóveis. Estou falando de ações na Bolsa, empresas, investimentos e construção de patrimônio.

O Brasil já passou por situações parecidas. E olhar para o passado pode nos ajudar a tomar decisões melhores para 2027.

O que aconteceu com a Bolsa depois das eleições?

No dia 26 de outubro de 2026, primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 13,88%. Foi a maior queda diária desde março de 2020, quando o mundo enfrentava o início da pandemia. No mesmo dia, o dólar subiu 8,21%, chegando a R$ 5,403.

Mas por que isso aconteceu? Porque o mercado financeiro trabalha com expectativas. Quando investidores acreditam que determinada situação econômica pode acontecer, eles começam a comprar ou vender ativos antes mesmo de ela se concretizar. Quando o resultado é diferente do esperado, os preços podem mudar rapidamente.

E aqui está um ponto importante: uma empresa não necessariamente ficou 14% pior de um dia para o outro só porque suas ações caíram. O preço da ação pode cair por medo, incerteza, necessidade de venda ou mudanças nas expectativas de lucro. É justamente aí que começa a análise de quem investe pensando no longo prazo.

O Brasil já passou por isso antes?

Sim. Em 2002, por exemplo, o Brasil enfrentou muita incerteza econômica durante a campanha presidencial. O dólar subiu bastante, o risco Brasil aumentou e muitos investidores ficaram receosos. Com o passar do tempo, o mercado passou a avaliar as medidas econômicas efetivamente adotadas, e não apenas as expectativas eleitorais.

Em 2015 e 2016, tivemos uma das maiores recessões da nossa história. O Brasil enfrentou desemprego elevado, queda na atividade econômica e dificuldades em vários setores. No mercado imobiliário, muitas incorporadoras reduziram lançamentos, compradores adiaram decisões e alguns proprietários precisaram negociar seus imóveis. Quem tinha dinheiro disponível encontrou oportunidades em determinados mercados, mas isso não significa que qualquer imóvel comprado naquela época tenha sido um bom investimento. Localização, preço, demanda e capacidade de esperar continuaram fazendo toda a diferença.

Em 2020, veio a pandemia. Vocês lembram do que aconteceu? A Bolsa despencou, o mercado entrou em pânico e ninguém sabia exatamente quanto tempo aquela situação iria durar. Depois, muitas ações se recuperaram, embora outras empresas tenham enfrentado dificuldades por muito mais tempo.

No mercado imobiliário, tivemos um movimento interessante. Com a redução dos juros durante parte daquele período, o financiamento ficou mais acessível e a procura por determinados tipos de imóveis aumentou. Muitas famílias passaram a valorizar espaços maiores, áreas abertas e imóveis que permitissem trabalhar em casa. Ou seja, enquanto alguns setores sofriam, outros encontravam novas oportunidades. Uma crise não afeta todos os investimentos da mesma maneira.

E o que aconteceu nas últimas eleições?

Quero mostrar uma comparação interessante. Em 2018, a Bolsa subiu 4,57% no primeiro pregão após o primeiro turno, mas caiu 2,24% depois do segundo. Em 2022, tivemos valorização de 5,54% após o primeiro turno e de 1,31% depois do segundo. Já em 2026, o Ibovespa subiu 7,70% após o primeiro turno e caiu 13,88% após o segundo.

Observem como o mercado reagiu de maneiras diferentes. Isso mostra que não existe uma regra dizendo que a Bolsa sempre sobe ou sempre cai depois de uma eleição.

E tem mais um dado interessante. Um levantamento histórico divulgado pela Suno, com base em estudo de Guilherme Carter, professor de Finanças da FGV e diretor da DataBay, analisou seis eleições presidenciais desde 2002. Em quatro delas, a Bolsa caiu no primeiro pregão após o segundo turno. Mas, cinco pregões depois, o Ibovespa estava acima do fechamento anterior à eleição em todos os seis casos analisados, com alta média de 3,22%.

Isso não significa que a mesma recuperação acontecerá agora. São poucos episódios para prever o futuro, mas o levantamento mostra como decisões tomadas no calor do momento podem ser precipitadas.

A Bolsa caiu. Será que é hora de comprar ações?

Essa é uma das perguntas que mais gosto de discutir quando falamos sobre investimentos. Vou dar um exemplo simples: imagine que uma empresa tinha ações negociadas a R$ 40 e, depois de uma queda no mercado, essas mesmas ações passam a custar R$ 30. O preço caiu 25%.

Agora pense comigo: se a empresa continua vendendo bem, tem pouco endividamento, gera lucro e mantém boas perspectivas, essa queda pode representar uma oportunidade de compra. Mas, se a empresa está perdendo clientes, acumulando dívidas e enfrentando dificuldades, talvez os R$ 30 ainda sejam caros.

Preço baixo não é a mesma coisa que investimento barato.

Por isso, antes de comprar ações, considero fundamental analisar se a empresa dá lucro, quanto deve, se consegue gerar dinheiro com sua atividade, quais são suas perspectivas e se o preço atual faz sentido em relação aos resultados.

E existe outro cuidado: não investir todo o dinheiro de uma vez apenas porque o mercado caiu. Investir aos poucos, diversificar e manter uma reserva financeira pode ser mais adequado do que tentar adivinhar o dia exato em que a Bolsa vai voltar a subir.

Enquanto a Bolsa cai, o mercado imobiliário continua vendendo?

Aqui temos números importantes. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Brasil vendeu 226.536 imóveis residenciais novos no primeiro semestre de 2026, crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Outro dado: o financiamento imobiliário com recursos da poupança, pelo SBPE, chegou a R$ 67,2 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 12%. E uma pesquisa divulgada pela CBIC mostrou que 52% dos entrevistados tinham intenção de comprar um imóvel nos 24 meses seguintes.

Esses números mostram que, mesmo com juros elevados e desafios econômicos, o mercado imobiliário continuava movimentando negócios. Mas faço uma ressalva importante: esses dados são anteriores à queda da Bolsa em outubro. Portanto, não podemos afirmar que as pessoas passaram a comprar mais imóveis por causa do resultado eleitoral. O que podemos dizer é que o mercado imobiliário já apresentava crescimento antes desse episódio.

Por que muitas pessoas procuram imóveis quando o cenário fica incerto?

Eu trabalho há muitos anos com o mercado imobiliário e percebo que existe algo muito forte na relação das pessoas com os imóveis: a sensação de segurança de possuir um patrimônio físico.

Quando alguém compra um apartamento, uma casa ou um imóvel comercial, sabe que está adquirindo um bem que pode ser utilizado, alugado ou vendido futuramente. Mas precisamos ter cuidado com uma ideia muito comum: a de que imóvel nunca perde valor. Perde, sim.

Um imóvel pode ficar desocupado, precisar de reformas, sofrer desvalorização ou demorar muito para ser vendido. Por isso, eu sempre digo que não basta comprar um imóvel. É preciso comprar bem. E comprar bem significa olhar para localização, preço, demanda, possibilidade de aluguel, custos e potencial de valorização.

Em momentos de instabilidade, também podem surgir vendedores mais dispostos a negociar. Para quem tem recursos disponíveis, isso pode abrir oportunidades, mas é necessário pesquisar e fazer contas.

Bolsa ou imóvel: onde eu olharia para 2027?

Eu não gosto de tratar investimentos como se fosse necessário escolher apenas um. Bolsa e imóveis têm características diferentes e podem fazer parte de uma mesma estratégia patrimonial.

Uma ação normalmente pode ser comprada e vendida com mais facilidade. Um imóvel costuma exigir mais dinheiro, tem despesas de manutenção e pode levar meses para ser vendido. Por outro lado, um imóvel alugado pode gerar renda mensal, enquanto uma carteira de ações pode oferecer valorização e dividendos, dependendo das empresas.

Também existem os fundos imobiliários, que permitem investir em ativos ligados ao setor imobiliário por meio da Bolsa, embora estejam sujeitos às oscilações do mercado.

O que considero mais importante para 2027 é acompanhar os juros, a inflação, as condições de crédito, o emprego, a renda e os resultados das empresas. No mercado imobiliário, também observaria com atenção as regiões que recebem investimentos em infraestrutura, apresentam demanda consistente e oferecem boas condições de negociação.

Não existe uma fórmula única. Cada investimento precisa fazer sentido dentro de um planejamento.

O que eu faria para me preparar para 2027?

Primeiro, não tomaria decisões financeiras apenas por causa de uma notícia. Notícias são importantes, mas investimentos exigem análise. Uma queda em um dia não define o resultado dos próximos anos.

Segundo, manteria dinheiro disponível para oportunidades. Ter liquidez é importante, porque quem compromete todos os recursos pode precisar vender um bom investimento em um momento ruim.

Terceiro, estudaria empresas que caíram na Bolsa, procurando entender quais continuam apresentando bons resultados e quais enfrentam problemas reais.

Quarto, acompanharia oportunidades no mercado imobiliário, observando regiões com demanda, imóveis bem localizados e negociações em que o preço faça sentido.

E quinto, não concentraria todo o patrimônio em um único investimento. Diversificar não elimina riscos, mas pode ajudar a evitar que um problema específico comprometa todo o patrimônio.

O maior erro é deixar o medo decidir por você

Quando a Bolsa sobe muito, algumas pessoas compram porque acreditam que vão perder a oportunidade. Quando a Bolsa cai, essas mesmas pessoas vendem porque ficam com medo de perder ainda mais.

Percebam o problema: elas podem acabar comprando caro e vendendo barato.

No mercado imobiliário também acontece algo parecido. Há quem compre um imóvel sem analisar os números porque alguém disse que ele vai valorizar muito. E há quem deixe passar uma negociação interessante simplesmente porque está esperando o cenário econômico ficar perfeito.

Mas existe cenário perfeito?

Na minha visão, o mais importante não é esperar que todas as incertezas desapareçam. É conhecer os riscos, fazer boas perguntas e entender o investimento antes de tomar uma decisão.

Minha reflexão para 2027

Estamos chegando ao final de 2026, um ano marcado por eleições, mudanças de expectativas e movimentos importantes nos mercados. E quero deixar uma reflexão.

Quantas vezes, na história, as pessoas olharam para uma crise e acreditaram que aquele seria o pior momento para investir? Em algumas situações, esperar foi a decisão mais prudente. Em outras, quem tinha planejamento conseguiu aproveitar preços mais atrativos.

O que diferenciou essas decisões não foi simplesmente a coragem de comprar. Foi a capacidade de analisar o que estava acontecendo.

Eu acredito que construir patrimônio exige três coisas: conhecimento, planejamento e constância. Não precisamos acertar todas as oportunidades. Precisamos evitar decisões que possam comprometer nossa segurança financeira.

A Bolsa pode oferecer boas oportunidades depois de uma queda. O mercado imobiliário pode apresentar negociações interessantes em períodos de incerteza. E a renda fixa também pode ter um papel importante na proteção do patrimônio.

O segredo não está em escolher o investimento que mais aparece nas notícias. Está em entender qual investimento faz sentido para os seus objetivos.

E se existe uma mensagem que quero deixar neste episódio, é esta: não espere chegar janeiro para começar a pensar em 2027. O próximo ano começa nas decisões que tomamos hoje.

Quer se antecipar a 2027?

Estou preparando uma retrospectiva de 2026 com os principais acontecimentos que impactaram os investimentos, o mercado imobiliário e a economia brasileira. Também vou compartilhar análises e ações estratégicas para quem deseja identificar oportunidades e tomar decisões mais conscientes em 2027.

Faça seu cadastro aqui https://descomplicandomercadoimobiliario.com/retrospectiva26

Porque construir patrimônio não é adivinhar o futuro. É se preparar para ele.

Até o próximo episódio da Jornada Imobiliária!

Fontes para aprofundamento

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