FGTS pode ser usado em qualquer imóvel? Veja o que pode impedir você de usar o saldo

Jornada Imobiliária – Episódio 37

Muita gente só lembra do FGTS quando chega a hora de dar entrada em um imóvel. Mas ter dinheiro na conta não significa que ele possa ser usado em qualquer compra. A utilização segue regras sobre o trabalhador, o imóvel e o financiamento.

O FGTS pode ajudar em mais de uma etapa: na compra, como parte do pagamento ou da entrada; depois, para amortizar ou quitar o saldo devedor; e, em determinadas condições, para reduzir parte das prestações.

O que o trabalhador precisa cumprir

Para usar o saldo, é preciso somar pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS. Esse tempo pode vir de empregos diferentes e não precisa ser consecutivo.

Também há outras condições: não ter financiamento habitacional ativo no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) em qualquer lugar do país e não ter determinados direitos sobre outro imóvel residencial na cidade onde mora ou trabalha — incluindo municípios limítrofes e da mesma região metropolitana. As regras consideram situações como ser proprietário, comprador ou usufrutuário.

O imóvel também precisa se enquadrar

Em geral, o imóvel deve ser residencial, urbano e destinado à moradia do próprio trabalhador. Portanto, o FGTS não é um recurso livre para comprar qualquer imóvel como investimento, casa de férias ou unidade destinada exclusivamente à locação.

A localização, a documentação e a avaliação do imóvel também entram na análise. O limite de avaliação para imóveis enquadrados no SFH foi atualizado para R$ 2,25 milhões. Isso não significa que todo imóvel abaixo desse valor seja automaticamente elegível: as regras da modalidade e da operação também precisam ser atendidas.

Como o FGTS pode ajudar no financiamento

Na compra, o saldo pode compor a entrada ou reduzir o valor financiado. Depois da contratação, pode ser usado para amortizar parte da dívida, quitar o saldo devedor ou diminuir em até 80% o valor das prestações por 12 meses consecutivos, desde que o contrato e o imóvel atendam aos requisitos.

Para quem avalia o Minha Casa, Minha Vida, há um detalhe útil: na linha financiada, não é necessário ter saldo no FGTS para solicitar o financiamento. Mas, se houver saldo e os requisitos forem atendidos, ele pode ajudar a reduzir a entrada. A aprovação do crédito continua sob análise da instituição financeira.

Antes de fechar negócio

Antes de assinar uma proposta contando com o FGTS, consulte o saldo e peça à instituição financeira uma análise prévia. Verifique também a matrícula, a avaliação e a localização do imóvel, além da situação de quem vai compor a compra. Se houver cônjuge ou companheiro, o regime de bens e a propriedade de imóveis por qualquer um dos dois podem influenciar a análise.

O FGTS pode fazer diferença na entrada e no custo do financiamento, mas seu uso depende de regras. Planejar antes de escolher o imóvel evita montar uma proposta contando com um recurso que talvez não possa ser liberado naquela operação.

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