Quando um novo empreendimento é lançado, a maioria das pessoas pensa apenas nos apartamentos que serão construídos.
Mas, na realidade, um prédio nunca transforma apenas um terreno.
Ele pode transformar um bairro inteiro.
E essa talvez seja uma das maiores forças do mercado imobiliário.
Imagine um terreno vazio.
Durante anos ele não gera empregos, não movimenta comércio, não atrai novos serviços e pouco contribui para o desenvolvimento da região.
Agora imagine que, naquele mesmo local, será construído um empreendimento com 250 apartamentos.
A mudança começa muito antes da entrega das chaves.
Primeiro chegam as equipes de engenharia.
Depois fornecedores.
Transportadoras.
Empresas de concreto.
Fabricantes de aço.
Esquadrias.
Vidros.
Paisagismo.
Iluminação.
Tecnologia.
Ao mesmo tempo, restaurantes próximos passam a receber mais clientes.
Postos de combustível aumentam o movimento.
Hotéis hospedam profissionais que trabalham na obra.
Pequenos comércios começam a vender mais.
Na prática, um único empreendimento movimenta dezenas de setores da economia.
Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a construção civil responde por aproximadamente 6% do PIB brasileiro e está entre os setores que mais geram empregos no país. Cada nova obra cria oportunidades diretas e indiretas para centenas de profissionais, desde engenheiros e arquitetos até motoristas, fornecedores e prestadores de serviços.
Mas a transformação continua mesmo depois da entrega.
Quando centenas de famílias passam a morar naquela região, novos negócios começam a surgir.
Padarias.
Farmácias.
Mercados.
Academias.
Escolas.
Clínicas.
Restaurantes.
Pet shops.
Lavanderias.
Tudo isso acompanha o crescimento da população.
É exatamente por esse motivo que investidores costumam acompanhar grandes projetos urbanos.
Quando uma região recebe infraestrutura, novos empreendimentos e investimentos públicos, o potencial de valorização tende a aumentar.
É claro que isso depende de diversos fatores, como economia, oferta, demanda e planejamento urbano, mas a relação entre desenvolvimento e valorização é um dos aspectos mais estudados do mercado imobiliário.
Existe outro fator importante.
Hoje, incorporadoras não pensam apenas em construir edifícios.
Elas procuram desenvolver bairros mais completos.
Por isso, cresce o número de empreendimentos de uso misto, que unem residências, escritórios, lojas, restaurantes, áreas de lazer e serviços em um mesmo local.
Esse conceito reduz deslocamentos, melhora a qualidade de vida e cria regiões mais dinâmicas.
Outro movimento que ganhou força nos últimos anos é o chamado placemaking.
Em vez de construir apenas prédios, o objetivo é criar lugares onde as pessoas realmente desejam viver.
Calçadas mais largas.
Áreas verdes.
Espaços de convivência.
Praças.
Cafés.
Mobilidade.
Segurança.
Tudo isso passou a fazer parte da estratégia de desenvolvimento urbano.
No mundo inteiro existem exemplos marcantes.
Regiões antes pouco valorizadas passaram por processos de requalificação urbana e, anos depois, tornaram-se alguns dos endereços mais desejados de suas cidades.
No Brasil também encontramos diversos exemplos em cidades como São Paulo, Balneário Camboriú, Curitiba, Goiânia, Florianópolis e Recife, onde novos empreendimentos impulsionaram melhorias urbanas e atraíram novos investimentos.
Mas existe um ponto que considero o mais importante.
Construção civil não é apenas levantar prédios.
É construir cidades.
É gerar empregos.
É movimentar empresas.
É desenvolver regiões.
É criar patrimônio para famílias.
É melhorar a infraestrutura urbana.
Quando analisamos um empreendimento apenas pelo valor do apartamento, enxergamos apenas uma pequena parte da história.
Por trás de cada lançamento existe uma cadeia econômica gigantesca que continua produzindo resultados por muitos anos.
Talvez essa seja a maior lição da Jornada do Mercado Imobiliário.
Um empreendimento nunca termina na entrega das chaves.
Na verdade, é justamente ali que começa sua maior contribuição: transformar o lugar onde foi construído.
Glossário da Jornada Imobiliária
Valorização imobiliária
É o aumento do valor de um imóvel ao longo do tempo. Ela pode ocorrer por melhorias na infraestrutura, crescimento da região, novos empreendimentos, transporte, comércio e aumento da procura.
Desenvolvimento urbano
É o crescimento planejado de uma cidade, com novos bairros, infraestrutura, serviços, mobilidade e qualidade de vida para a população.
Empreendimento de uso misto
É um projeto que reúne diferentes funções no mesmo local, como apartamentos, escritórios, lojas, restaurantes e serviços.
Placemaking
É um conceito de urbanismo que busca criar espaços onde as pessoas gostem de viver, trabalhar e conviver, valorizando a experiência humana além da construção.
Infraestrutura urbana
É o conjunto de serviços que faz uma cidade funcionar, como ruas, iluminação, água, esgoto, energia, transporte público, internet e drenagem.
Requalificação urbana
É o processo de revitalizar áreas da cidade por meio de novos investimentos, melhorias públicas e privadas e desenvolvimento imobiliário.
Adensamento urbano
É o aumento da quantidade de moradores ou construções em uma determinada região, normalmente acompanhado por melhorias na infraestrutura e nos serviços.
